Central de Plantões expõe grave crise na segurança

Publicado por Raphael Guerra às 11:52

Viaturas da PM chegam a ficar mais de 12 horas paradas aguardando realização de flagrantes na unidade. Crédito: Ricardo Labastier/JC Imagem

Inaugurada há um ano e sete meses, a Central de Plantões da Polícia Civil se transformou em um nó difícil de desatar e está expondo a grave crise em que se encontra a segurança em Pernambuco.

Para quem não se lembra, a delegacia foi criada para dar mais agilidade ao encaminhamento das prisões em flagrantes realizadas pela PM. No projeto inicial, cinco equipes formadas por delegados, agentes e escrivães estariam a disposição para receber os presos e liberar as equipes da PM para voltar às ruas o mais rápido possível. Mas há meses a realidade é bem diferente.

Os plantões, geralmente, estão sendo formados apenas por um ou dois delegados para receber todos os flagrantes vindos de Boa Viagem, Santo Amaro, Várzea, entre outros bairros do Recife. Isso já foi amplamente denunciado, mas continua sem solução. Nesta quinta-feira (5), por exemplo, segundo colegas da imprensa, o primeiro delegado do plantão chegou à Central às 10h.

Viaturas da Polícia Militar chegam a ficar paradas no local por mais de 12 horas esperando que os presos sejam recebidos pela Polícia Civil. Enquanto isso, as ruas ficam sem segurança e os criminosos à solta.
Se não bastasse, ainda falta infraestrutura adequada para que os profissionais da segurança trabalhem de forma digna. As salas estão com ar-condicionados quebrados, cheios de poeira e sem manutenção alguma. Nos banheiros, vazamentos são comuns.

A Central de Plantões foi inaugurada em março de 2014, com direito a palanque e discurso do ex-governador Eduardo Campos. Na época, segundo o Governo Estadual, foram gastos R$ 245 mil com reforma do prédio, climatização e mobiliário.

O clima na delegacia está tão complicado que na manhã desta quinta-feira comissários de polícia chegaram a protagonizar uma discussão e, segundo relatos, ainda trocaram agressões físicas. Pouco depois, jornalistas quase foram expulsos do local aos gritos por um delegado.

Diante desse caos generalizado é preciso que a Secretaria de Defesa Social (SDS) tome providências emergenciais e reveja os procedimentos adotados para que o trabalho da Central de Plantões volte a ter sentido, cumprindo o objetivo inicial de dar mais agilidade aos flagrantes e garantindo condições mínimas de trabalho aos profissionais.

Discussão2 Comentários

  1. A CENTRAL DE FLAGRANTES FOI FEITA REALMENTE PRA AGILIZAR O TRABALHO DO PESSOAL DA POLICIA MILITAR, SÓ QUE EM VEZ DE FLAGRANTE, A CENTRAL PASSOU A FAZER ÁREA METROPOLITANA E TODO TIPO DE SERVIÇO QUE POSSA IMAGINAR, E SEM ESTRUTURA HUMANA E MATERIAL. E EM RELAÇÃO AOS PM, PASSAR MAS DE DOZE HORAS NINGUÉM EXPLICA QUE ELES CHEGAM E PASSAM DUAS HORAS PRA FAZER UM ROP, E QUANDO É DROGA A MESMA TEM QUE SER LEVADA PRO INSTITUTO DE CRIMINALISTA QUE SÓ EXISTE UM PERITO DE PLANTÃO PRA DIGITAR E FAZER O LAUDO, OS PM AS VEZES CHEGAM COM O DETIDO COM ESCORIAÇÕES DE QUEDA E DE SER OBRIGADO A USAR A FORÇA, NECESSÁRIA, EXISTEM VÁRIOS FATORES. E QUANDO VOLTA É QUE PODEMOS COMEÇAR O FLAGRANTE. ISTO NINGUÉM TEM CORAGEM DE FALAR. E NÃO PODEMOS FICAR ESPERANDO, TEMOS QUE COLOCAR AS OCORRÊNCIAS PRA ANDAR, E COLOCAMOS MUITAS VEZES OUTRAS OCORRÊNCIAS NA FRENTE.

  2. Não é “privilégio” só da central de flagrantes, os plantões na região metropolitana e interior também estão um caos. Faltam gestores capacitados e uma politica de segurança pública para todo o Estado.
    Vamos a Luta SINPOL.

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