Delegada havia pedido perícia não realizada no caso Morato

Documento contradiz afirmações da SDS de que os peritos teriam agido sem ordem superior

Mon Jun 27 12:54:00 BRT 2016 – Do FolhaPE
Jedson Nobre/Folha de Pernambuco
Sinpol e Asppape apresentaram documento que mostra pedido de perícia no quarto do motel

Um pedido de perícia papiloscópica complica ainda mais o caso da morte de Paulo César Morato ao desmentir a própria Secretaria de Defesa Social (SDS). O documento, datado de 23 de junho – um dia após a morte – e apresentado pelo Sindicato da Policiais Civis (Sinpol) nesta segunda-feira (27), pede a perícia no local do crime, o que contraria a versão oficial da SDS.O Sinpol argumenta que, quando o corpo de Morato foi encontrado, a delegada Gleide Ângelo solicitou a realização do exame, que não teria sido realizado. No entanto, durante coletiva de imprensa, na última quinta-feira (23), a gerente geral de Polícia Científica, Sandra Santos, afirmou que o procedimento foi feito.

A SDS ainda havia afirmado que a equipe pericial havia ido ao local espontaneamente e sem ordem superior, e por isso teria sido cancelada a perícia no quarto de motel onde Morato foi encontrado morto. A reportagem da Folha de Pernambuco tentou entrar em contato com a delegada Gleide Ângelo para confirmar o pedido de perícia, mas ainda não obteve sucesso.

O Sinpol e a Associação dos Peritos de Pernambuco (Asppape) estiveram na SDS nesta segunda-feira e protocolaram um pedido de informações a respeito dos procedimentos tomados no caso da morte de Paulo César Morato, investigado na Operação Turbulência, da Polícia Federal (PF). De lá, o grupo seguiu para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Entre os pontos que pedem esclarecimentos, segundo as entidades, está o exame de papiloscopia, para identificar digitais no quarto do motel onde o corpo foi encontrado.

“Não estamos entendendo porque não foi feita a perícia papiloscópica. Não estamos entendendo porque fugir da norma padrão”, disse o presidente do Sinpol, Aureo Cisneiros. Segundo o sindicalista, a ordem para não realizar teria partido da diretora de polícia científica, Sandra Santos. Ele considerou estranha a decisão, porque o exame seria fundamental nas investigações. “A quem interessa a perícia não ter sido feita?”, questiona.

Confira imagem do pedido de informações:

Jedson Nobre/Folha de Pernambuco
Documento argumenta que vestígios papiloscópicos eram essenciais para a investigação
Fonte: http://www.folhape.com.br/politica/2016/6/delegada-havia-pedido-pericia-nao-realizada-no-caso-morato-0452.html

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