Ontem (30), o governador Paulo Câmara veio a público afirmar que o SINPOL teria motivações eleitorais para desmentir a afirmação, feita por ele, de que as delegacias do estado funcionam todos os dias da semana, 24 horas por dia. Ora, é fato que o presidente licenciado da entidade, Áureo Cisneiros, é candidato a deputado estadual de Pernambuco. É um direito da categoria ter um representante na Assembleia Legislativa. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Há quatro anos o SINPOL vem denunciando as péssimas condições de trabalho, o sucateamento das estruturas e a falta de efetivo na Polícia Civil de Pernambuco, o que incide diretamente no fechamento das delegacias denunciado. Foram inúmeras entrevistas dadas, coletivas de imprensa, dois dossiês publicados e nosso posicionamento sempre apontou para o que reiteramos agora. Seria até incoerente se nos calássemos diante dos fatos. Além do mais, o Conselho Nacional do Ministério Público também fez um levantamento onde constata que quase 70% das delegacias não funcionam 24 horas em nem nos finais de semana e feriados.
Na verdade, o que tem nos parecido é justamente o contrário. Pelo fato de estarmos em um período eleitoral e do governador estar tentando a reeleição, tem insistido em manter essa farsa, mesmo com todas as evidências e provas acerca do que declara o SINPOL. Pior, em vez de reconhecer o problema e se comprometer a implantar uma política séria de recompletamento de quadros, com a convocação de todos os aprovados no último concurso da Polícia Civil, com realização de concursos públicos regulares para sanar o problema da falta de efetivo e realmente fazer as delegacias funcionarem 24h, o governador tem recorrido mais uma vez ao assédio moral, a perseguição e a exploração desumana do trabalhador Policial Civil de Pernambuco.
Circula em algumas redes sociais, um áudio feito pelo delegado Gilmar Rodrigues, chefe da delegacia Seccional de Olinda, no qual o servidor ameaça – segundo ele em nome do governador Paulo Câmara e do Chefe de Polícia, Joselito Kherle, os policiais que se neguem a abrir as delegacias, mesmo estando sozinhos nas unidades. Além disso, o próprio Paulo Câmara verbalizou ontem (30), em entrevista dada a uma jornalista local, que usaria a corregedoria para punir os policiais que não abrissem as delegacias, mesmo sob regime de permanência.
O que isso quer dizer? Na prática o governador está exigindo que os policiais civis, que mesmo sozinhos nas delegacias após às 18h, nos finais de semana e feriados já se responsabilizam pela guarda do patrimônio, das armas, drogas e inquéritos dentro das unidades, agora também atendam a população de portas abertas. O que já era um absurdo, transformou-se em algo totalmente descabido e desumano. Imaginemos uma situação hipotética: caso não sejam cidadãos em busca de atendimento, mas bandidos disfarçados dentro do DP. Como um Policial sozinho poderia defender o patrimônio da delegacia, outros cidadãos que estejam ali ou mesmo a sua própria vida?
Outro problema é que tudo isso seria uma grande encenação, pois o cidadão seria encaminhado para outra delegacia, um plantão, provavelmente distante do fato ocorrido, pois nenhuma investigação pode ser instaurada sem a presença de um delegado e um escrivão. Vale salientar, é que foi esse mesmo governo que acabou com os plantões descentralizados, que funcionavam verdadeiramente 24 horas por dia. É lamentável que o governador esteja mais preocupado em manter um teatro eleitoral em torno da segurança pública do que em resolver seus problemas. Quem realmente está “eleitoralizando” o debate da segurança pública? Com certeza não somos nós, pois estamos amparados pela verdade e por nossa categoria, que está cansada de ser tratada com tanto descaso e falácias.

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