Em sessão realizada ontem (30), em regime de urgência, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou o projeto de lei 2066/2018, enviado pelo Governador Paulo Câmara. Na prática, o texto prevê a extinção da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (DECASP) e a criação do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (DRACO), com o argumento de que o combate à corrupção seria mantido e ampliado ao interior do estado, com a criação do novo departamento. Contudo, infelizmente,a percepção é de que o combate à corrupção acabe ficando em segundo plano, passível de ser “engolido” por interesses políticos.

Essa tese se reforça pela velocidade com a qual o governador, assim que reeleito, agiu para dissolver a DECASP, unidade que tem sido um verdadeiro “calo” para seu governo. Sob o comando da Delegada Patrícia Domingos, a DECASP prendeu 49 pessoas, entre políticos, servidores públicos e empresários; deflagrou cerca de 15 grandes operações e recuperou cerca de 10 milhões de reais desviados dos cofres públicos. Atualmente a delegada estava investigando casos emblemáticos envolvendo as prefeituras de Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Recife, todas ligadas ao PSB (partido do Governador). Outro fato que causa estranheza é que mesmo usando o argumento de querer expandir o combate à corrupção, o governo afastou a competente delegada, nomeando outro de sua confiança.

Para o Presidente do SINPOL, Áureo Cisneiros, a medida não é republicana e segue na contramão da vontade popular. “Independentemente do resultado das eleições deste ano, uma coisa ficou muito clara: o povo brasileiro não aguenta e não aceita mais conviver com a corrupção generalizada que se instalou em nossa Federação. Por isso, sem dúvida, insistir nessa proposta é um grande erro, até porque a DECASP tem muitos serviços prestados ao povo pernambucano. Também não podemos esquecer que apenas quatro deputados votaram contra o projeto. Todos os outros traíram a vontade do povo pernambucano, inclusive aqueles que se dizem ligados à segurança pública”, avalia.

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