Por Arthur Pedro – Primeiro Secretário do Sinpol

Companheiros,

O luto tem sido uma constante na minha vida profissional, a cada notícia da morte de um policial, morro um pouco também. Já sepultei colegas das mais variadas causas: acidentes, homicídios e morte “natural”, provocadas pelas péssimas condições de trabalho, a exemplo do Comissário Brito, Dr. Aldo e Dr. Paulo, estes na faixa dos quarenta anos.

A cada sepultamento cresce dentro de mim uma desilusão com a vida, matando a vontade de lutar.

Não conheço os envolvidos neste caso. Pelo que li Luciano era pessoa da melhor qualidade, ficando aqui meus sentimentos para a família. Quanto ao autor, que não conheço, acredito também ser pessoa boa, vítima da irresponsabilidade do Estado com os profissionais que carecem de uma acompanhamento psicológico. Creio que não podemos tomá-lo como cristo, pois nós policiais, sabemos melhor que monges, que o homicídio é crime de momento e ninguém está livre, passivo ou ativamente.

Não perco a fé na imparcialidade da PC (mesmo sendo muito difícil para os mais próximos), pois temos que cumprir nossa função: identificar, prender e apresentar à justiça, para que pague por seu erro.

Hoje reconheço minha parcela de culpa na morte de cada policial. Durante minha vida profissional sempre negligenciei as vidas, permitindo que o governo explorasse minha saúde, meu físico, minha mente e meu lazer de forma desonesta, porém, com meu consentimento, ao participar de longas jornadas, PJES, operações…

Hoje percebo que o verdadeiro culpado por todas essas mortes sempre foi o Governo, apoiado por um sindicato fraco, que nos representou por vários anos.

Hoje luto pare reduzir, também, minha parcela de culpa nessas mortes. Não permito mais que o Governo me consuma até a última gota e depois me descarte por não ser mais produtivo.

Como disse Galeano, “nós dizemos não. Dizemos não a uma sociedade que põe preço nas coisas e nas pessoas, onde o próximo é visto como um supermercado ou uma pista de corrida, jamais como um irmão. Dizemos não a um sistema que premia nossa obediência, castiga nossa inteligência e desalenta nossa energia criadora. Somos opinados, jamais opinadores. Temos apenas direito ao eco, não a voz. E os que mandam, elogiam nosso talento de papagaios. Nós nos negamos a aceitar essa mediocridade como destino”.

Finalizo com um antigo ditado: quem não atrapalha, muito ajuda, e, na esperança que outros colegas reflitam na possibilidade de continuar sendo escravo do Governo, aceitando a mediocridade como destino.

Arthur Pedro

Discussão1 Comentário

  1. PARABÉNS COMPANHEIRO ARTHUR, LHE CONHEÇO POIS JÁ TRABALHAMOS JUNTOS ALGUM TEMPO E SEI QUE VC É SINCERO NO QUE DIZ. UM ABÇ !!

    PAULO FERNANDO
    74ª DP

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