Há anos a Diretoria do Sinpol vem denunciando a falta de estrutura nas delegacias e institutos de Polícia em Pernambuco. Além disso, a falta de efetivo também é um problema que reiteradamente temos evidenciado. Para se ter uma ideia da defasagem de investigadores na segurança pública do estado, basta ver a desproporção entre as Polícias. Enquanto a Militar possui em seus quadros mais de 20 mil homens e mulheres na ativa, a Polícia Civil se arrasta com menos de 6.500 servidores para dar cabo de investigar todos os crimes cometidos em Pernambuco, desde um furto de celular a um complexo sistema de desvio de verbas em uma prefeitura, por exemplo.

Por mais que o Governador fale em contratações recentes, diante da gigantesca falta de efetivo e da idade avançada de grande parte da categoria – que com essas reformas previdenciárias irá acelerar os pedidos de aposentadoria – a quantidade de Policiais Civis que entra sequer repõe os que estão saindo. Para piorar o cenário, quando o Sinpol fala em modernizar o sistema de funcionamento da Polícia Civil, vemos a própria chefia se opor para não desburocratizar certos serviços deixando que outros policiais e não apenas delegados pratiquem atos que agilizem a vida de quem precisa dos nossos serviços.

Um Policial Civil sozinho em uma delegacia, de fato, não pode abri-la a noite, aos sábados, domingos e feriados para atender o público. Fazê-lo seria assumir um grande risco para a vida dele e todos os inquéritos e apreensões contidas nas unidades.

Também já denunciamos que fere os direitos humanos do Policial, porque ele sequer pode sair para almoçar ou jantar e caso ocorra dele passar mal ninguém irá ver para socorrê-lo. Mas, se tivéssemos dois ou mais investigadores na delegacia e estes pudessem assinar ocorrências de menor potencial ofensivo, apreensões ou encaminhar pessoas para exame traumatológico, as investigações e o atendimento ao público seriam agilizados e conseguiríamos resolver mais e melhor os crimes.

Por isso o Sinpol apresentou, desde 2019, uma proposta de unificação de cargos e de valorização funcional dos Policiais Civis da base, que são servidores com 3º grau, altamente capacitados e são subutilizados porque o Estado prefere manter uma estrutura arcaica e obsoleta que só serve para ter mais controle sobre o quê e quem investigar.

Diante dessa postura, negligente e desrespeitosa por parte do Governo Paulo Câmara, o Sinpol deliberou no fim do ano passado o início da nova fase da Operação Polícia Cidadã, quando o Policial Civil cumprirá apenas sua estrita atribuição, deixando de realizar tarefas e funções sem a devida oficialidade para cada cargo. Assim, no próximo dia 28, às 18h, a categoria estará reunida em assembleia para a deflagração do início do movimento que nada mais é do que uma busca por valorização funcional para atender melhor e mais rápido o povo pernambucano, com investigações e procedimentos mais céleres e eficazes.

SINPOL

Deixe seu comentário