Por Andredick – Policial Civil –

Mentir, ou distorcer verdades, é como destilar veneno com letras. É o equivalente de se misturar a gráfica das formas com o sentido das coisas, e o que resculta, ao esfriar o cadinho, possui uma beleza quase onírica, mas é tão mortífero quanto o veneno de uma víbora.

Neste pacto, alicerçado na solidez de um castelo de cartas, nossa parte é a conta. Pagamos com suor e sangue. Somos tratados com o mesmo respeito que tem o óleo que faz girar uma máquina: nenhum. Quando tudo funciona bem, mérito da eficiência pura da máquina; quando as engrenagens têm dificuldades em girar, culpa do óleo que não fez seu papel a contento.

Misture 11.500 litros de sangue (resultado de mais de 2.300 mortos em Pernambuco neste ano), com gelo, água de coco, peixes, crustáceos, cafezinhos, e tenha em suas mãos uma equação perversa. Acrescente 120 milhões de reais oferecidos em contrato com a Odebrecht; junte com os aumentos ofertados a cargos comissionados, a Secretaria da Fazenda, ao TCE e ao TJPE. Junte tudo num mesmo saco, e a equação perversa começa a exalar um fedor pútrido.

Não, este sangue derramado nunca esteve em nossas mãos. Dele não temos a menor culpa. A responsabilidade pertence a outros. Pertence aos idealizadores e empreendedores de uma política de segurança pública baseada em fachadas e aparências, desprovida do conteúdo que lhe forneceria subsistência. Uma política que transformou em insalubre nossos locais de trabalho; que fez de nossos coletes balísticos meras capas sem validade; que transformou nossas diárias e horas extras em promessas e mito.

Fazer cumprir a lei e servir à sociedade é nossa missão primordial, e temos orgulho disto. Mas nenhuma instituição, no mundo, é capaz de ser eficiente com apenas 40% do efetivo. Perdemos nossa capacidade de investigar e elucidar crimes, não por nossa culpa. Essa conta pertence a outro que insiste em se eximir de sua responsabilidade.

Mas no final de tudo resta-nos uma culpa verdadeira: somos culpados de fazer cumprir a lei, e temos orgulho disto também.

Andredick
Policial Civil

Discussão1 Comentário

  1. O policial Andredick, disse o que verdadeiramente acontece na espinha dorsal do governo que nos governa, tentam tirar a última gota de sangue da instituição com projetos falidos – pacto pela vida -, e quando não dão conta joga a culpa em cima da nossa polícia civil. Alguns da equipe desse governo, chegaram até a dizer, “que as exigências da polícia civil no que tange a equipamento de segurança, ex. colete, armas etc. etc. é uma pura vaidade”, o autor desse disparate não sabe quanto é um kilo de carne ou pão. Fica aqui a minha indignação com tudo que acontece conosco PC, e exalto o trabalho feito pelo o presidente do Sinpol, para que num futuro não tão distante, o nosso sindicato venha a obter exito nessa luta descomunal.

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